"Sustentai-me segundo vossa promessa e viverei, não deixeis que eu fique envergonhado em minha esperança." Salmos 119;116
Caterina Marchetti
nasceu em Lucca, Itália, no dia 15 de agosto de 1871. A
família Marchetti era pobre de recursos materiais, mas rica de fé e de filhos. Assunta desde jovem sentia o
chamado de tornar-se irmã de clausura, seu irmão José tornou-se sacerdote e depois
missionário para os italianos que migravam para o Brasil.Comemora-se em 1 de julho
Eram os anos em que a Europa via
partir muitos dos seus patriotas, em situação de extrema pobreza e desproteção,
em busca de pão nas Américas. O bispo de Piacenza, Itália, vendo este grande
êxodo fundou a Congregação dos padres missionários de São Carlos
Borromeo -Scalabrinianos e das irmãs missionárias de São Carlos Borromeo -Scalabrinianas.
As necessidades de assistência aos migrantes eram muitas. Padre José Marchetti iniciou por atender as populações migrantes nas fazendas de café e a recolher os órfãos abandonados que encontrava. Com a colaboração de muitos construiu o primeiro orfanato na colina do Ipiranga, SP.
Logo percebeu a falta de “corações maternos” que
zelassem pelo bem dos pequenos. Regressou à Itália com o objetivo de reunir
algumas jovens para o serviço aos conacionais em terra estrangeira. Sabia que
Assunta Caterina, sua irmã, desejava a vida de clausura, mas ousou convidá-la a
abraçar a vida missionária. Falou-lhe: “Lá em São Paulo estou sozinho com quase
200 órfãos”, e indicando-lhe o quadro do Sagrado Coração de Jesus disse-lhe:
“Olhe para o Coração de Jesus, escute seus apelos e depois me responda: vens ou
não ao Brasil para cuidar dos pequenos órfãos filhos dos migrantes?” , Assunta
pronunciou seu sim missionário a Deus que a interpelava através do irmão
missionário. Tinha então 24 anos. O irmão missionário convidou também a mãe
Carolina, que era viúva, e mais duas jovens, Angela Larini e Maria Franceschini
que formaram o primeiro grupo de irmãs para o serviço aos órfãos no Brasil. O
bispo fundador exortou-as a viver na certeza da fé e, entregando-lhes o
crucifixo de missionárias, disse: “Eis o companheiro indivisível nas
peregrinações apostólicas, o conforto, a força, a vossa salvação”. Era o dia 25
de outubro de 1895. Nascia assim um novo Instituto Religioso na Igreja, com uma
missão especifica do serviço evangélico e missionário aos migrantes no Brasil.
Durante a longa viagem de navio, Assunta e as companheiras exercitaram sua vocação missionária preparando 83 crianças para a primeira eucaristia e reanimando a fé e a esperança dos companheiros de êxodo. Chegadas a São Paulo como “Servas dos Órfãos e Abandonados no Exterior”, assumiram os cuidados de centenas de órfãos, especialmente os filhos dos migrantes italianos e dos filhos dos ex-escravos que rondavam pelas ruas de São Paulo. A jovem religiosa não media esforços para ser mãe carinhosa, enfermeira e catequista daqueles pequenos que a Providência divina fazia chegar ao Orfanato Cristóvão Colombo, do Ipiranga, São Paulo. Padre José Marchetti deu inicio à construção de outro orfanato na Vila Prudente, destinado às meninas órfãs. Padre José em seu zelo não temia nada e servindo em meio aos contaminados pela epidemia do tifo, veio a falecer com apenas 27 anos, em 14/12/1896.
Aos poucos Madre Assunta assumiu a direção do Instituto nascente
e, com suas coirmãs, continuava o serviço no Orfanato com tudo o que isto
comportava: alimentação, saúde, educação, dívidas!
O estilo de vida era simples,
devoto e serviçal. A santidade que expressavam em sua missão atraíram muitas
jovens, a quem Deus tinha dado o dom da vocação religiosa. Assim, a Congregação
cresceu e se expandiu no Brasil e fora dele, expressando a caridade evangélica
entre os migrantes, missão própria do Carisma Scalabriniano.
Madre Assunta Marchetti,
migrante desde o início de sua vida de religiosa, continuou sua
migração no Brasil, servindo em diversas cidades de São Paulo e no Rio Grande
do Sul.
Exerceu a missão de superiora
geral por dois períodos, foi enfermeira, administradora, mãe dos pequenos
órfãos, cozinheira nos Orfanatos, nos asilos e hospitais. Uma religiosa
exemplar, sempre pronta a “estender os braços ao infeliz e abrir as mãos aos
indigentes” Sabia prolongar os momentos de oração de dia e de noite, sem fugir
do serviço desinteressado aos necessitados. Tinha a convicção profunda de que
“Deus nos ama, por isto nos visita com suas cruzes”. Atenta em fazer a santa
vontade de Deus, quis estender este ideal a toda Congregação, escrevendo: “O
lema de nossa Congregação é fazer a vontade de Deus!”
A bem-aventurada Assunta Marchetti era de caráter forte, mas aprendeu a dominar-se e a tratar a todos, especialmente aos menores, com ternura de mãe. Era moderada no comer, pobre no vestir, buscando sempre fazer os trabalhos mais difíceis para beneficiar as coirmãs.
Após uma longa vida, 76 anos, faleceu no Orfanato Cristóvão Colombo,
Vila Prudente, São Paulo, no dia 1º de julho de 1948. As órfãs que lá se
encontravam exclamaram: “Hoje morreu a caridade! Hoje morreu uma santa!” Belas
verdades intuídas pelas menores que bem conheciam Madre Assunta.
Depois de um longo processo no
qual foram reconhecidas as virtudes heroicas e o milagre de Deus alcançado por
sua intercessão, o Papa Francisco declarou-a digna da beatificação. Por isto
foi realizada a cerimônia de beatificação em 25 de outubro de 2014, na Catedral
Metropolitana de São Paulo, SP, Brasil.
Fonte: Ir. Leocádia Mezzomo
Missionária Scalabriniana
Provérbio:
" Quando um amigo morre, leva um pouco da gente" ( Sérgio Porto)