sábado, 1 de agosto de 2026

213) BV ASSUNTA MARCHETTI

"Sustentai-me segundo vossa promessa e viverei, não deixeis que eu fique envergonhado em minha esperança." Salmos 119;116

Comemora-se em 1 de julho
             Caterina Marchetti nasceu em Lucca, Itália, no dia 15 de agosto de 1871. A família Marchetti era pobre de recursos materiais, mas rica de fé e de filhos. Assunta desde jovem sentia o chamado de tornar-se irmã de clausura,  seu irmão José tornou-se sacerdote e depois missionário para os italianos que migravam para o Brasil.

            Eram os anos em que a Europa via partir muitos dos seus patriotas, em situação de extrema pobreza e desproteção, em busca de pão nas Américas. O bispo de Piacenza, Itália, vendo este grande êxodo fundou a Congregação dos padres missionários de São Carlos Borromeo -Scalabrinianos e das irmãs missionárias de São Carlos Borromeo -Scalabrinianas.

            As necessidades de assistência aos migrantes eram muitas. Padre José Marchetti iniciou por atender as populações migrantes nas fazendas de café e a recolher os órfãos abandonados que encontrava. Com a colaboração de muitos construiu o primeiro orfanato na colina do Ipiranga, SP. 

            Logo percebeu a falta de “corações maternos” que zelassem pelo bem dos pequenos. Regressou à Itália com o objetivo de reunir algumas jovens para o serviço aos conacionais em terra estrangeira. Sabia que Assunta Caterina, sua irmã, desejava a vida de clausura, mas ousou convidá-la a abraçar a vida missionária. Falou-lhe: “Lá em São Paulo estou sozinho com quase 200 órfãos”, e indicando-lhe o quadro do Sagrado Coração de Jesus disse-lhe: “Olhe para o Coração de Jesus, escute seus apelos e depois me responda: vens ou não ao Brasil para cuidar dos pequenos órfãos filhos dos migrantes?” , Assunta pronunciou seu sim missionário a Deus que a interpelava através do irmão missionário. Tinha então 24 anos. O irmão missionário convidou também a mãe Carolina, que era viúva, e mais duas jovens, Angela Larini e Maria Franceschini que formaram o primeiro grupo de irmãs para o serviço aos órfãos no Brasil. O bispo fundador exortou-as a viver na certeza da fé e, entregando-lhes o crucifixo de missionárias, disse: “Eis o companheiro indivisível nas peregrinações apostólicas, o conforto, a força, a vossa salvação”. Era o dia 25 de outubro de 1895. Nascia assim um novo Instituto Religioso na Igreja, com uma missão especifica do serviço evangélico e missionário aos migrantes no Brasil.

            Durante a longa viagem de navio, Assunta e as companheiras exercitaram sua vocação missionária preparando 83 crianças para a primeira eucaristia e reanimando a fé e a esperança dos companheiros de êxodo.  Chegadas a São Paulo como “Servas dos Órfãos e Abandonados no Exterior”, assumiram os cuidados de centenas de órfãos, especialmente os filhos dos migrantes italianos e dos filhos dos ex-escravos que rondavam pelas ruas de São Paulo. A jovem religiosa não media esforços para ser mãe carinhosa, enfermeira e catequista daqueles pequenos que a Providência divina fazia chegar ao Orfanato Cristóvão Colombo, do Ipiranga, São Paulo. Padre José Marchetti deu inicio à construção de outro orfanato na Vila Prudente, destinado às meninas órfãs. Padre José em seu zelo não temia nada e servindo em meio aos contaminados pela epidemia do tifo, veio a falecer com apenas 27 anos, em 14/12/1896. 

            Aos poucos Madre Assunta assumiu a direção do Instituto nascente e, com suas coirmãs, continuava o serviço no Orfanato com tudo o que isto comportava: alimentação, saúde, educação, dívidas! 

            O estilo de vida era simples, devoto e serviçal. A santidade que expressavam em sua missão atraíram muitas jovens, a quem Deus tinha dado o dom da vocação religiosa. Assim, a Congregação cresceu e se expandiu no Brasil e fora dele, expressando a caridade evangélica entre os migrantes, missão própria do Carisma Scalabriniano.

            Madre Assunta Marchetti, migrante desde o início de sua vida de religiosa, continuou sua migração no Brasil, servindo em diversas cidades de São Paulo e no Rio Grande do Sul.

            Exerceu a missão de superiora geral por dois períodos, foi enfermeira, administradora, mãe dos pequenos órfãos, cozinheira nos Orfanatos, nos asilos e hospitais. Uma religiosa exemplar, sempre pronta a “estender os braços ao infeliz e abrir as mãos aos indigentes” Sabia prolongar os momentos de oração de dia e de noite, sem fugir do serviço desinteressado aos necessitados. Tinha a convicção profunda de que “Deus nos ama, por isto nos visita com suas cruzes”. Atenta em fazer a santa vontade de Deus, quis estender este ideal a toda Congregação, escrevendo: “O lema de nossa Congregação é fazer a vontade de Deus!” 

            A bem-aventurada Assunta Marchetti era de caráter forte, mas aprendeu a dominar-se e a tratar a todos, especialmente aos menores, com ternura de mãe. Era moderada no comer, pobre no vestir, buscando sempre fazer os trabalhos mais difíceis para beneficiar as coirmãs. 

            Após uma longa vida, 76 anos, faleceu no Orfanato Cristóvão Colombo, Vila Prudente, São Paulo, no dia 1º de julho de 1948. As órfãs que lá se encontravam exclamaram: “Hoje morreu a caridade! Hoje morreu uma santa!” Belas verdades intuídas pelas menores que bem conheciam Madre Assunta. 

            Depois de um longo processo no qual foram reconhecidas as virtudes heroicas e o milagre de Deus alcançado por sua intercessão, o Papa Francisco declarou-a digna da beatificação. Por isto foi realizada a cerimônia de beatificação em 25 de outubro de 2014, na Catedral Metropolitana de São Paulo, SP, Brasil.

Fonte: Ir. Leocádia Mezzomo
Missionária Scalabriniana


Provérbio:
" Quando um amigo morre, leva um pouco da gente" ( Sérgio Porto)

quinta-feira, 23 de abril de 2026

212) SÃO CLEMENTE MARIA HOFBAUER

 Ó Deus, vós sois meu Deus, desde a aurora vos procuro. De vós tem sede minha alma, anela por vós  minha carne, como terra deserta, seca, sem água. Sl 63(62),2

           
Comemora-se em 15 de março


            São Clemente Maria Hofbauer nasceu no dia 26 de dezembro de 1751, em Tasswitz, na República Tcheca. Era o nono de doze filhos nascidos do casal Maria e Paulo Hofbauer. No Batismo, recebeu o nome de João.

            Sua meta sempre foi o sacerdócio, mas sendo de família pobre, Clemente tinha poucas chances de ir para um seminário. Assim foi trabalhar como padeiro na padaria do mosteiro Premonstratense Klosterbruck.

            Uma viagem à Itália levou Clemente a Tívoli. Aí decidiu fazer-se eremita no santuário de Nossa Senhora de Quintiliolo . Foi aí que recebeu o nome de Clemente Maria. Manteve para a vida o hábito da oração e do trabalho.
            Voltou para casa e viveu dois anos como eremita em Mühlfrauen. Por insistência da mãe, deixou o eremitério para de novo tornar-se padeiro. Desta vez, conseguiu um emprego numa famosa padaria de Viena, onde encontrou duas senhoras distintas que pagaram seus estudos.

            Durante uma peregrinação à Itália em 1784, Clemente e seu companheiro de viagem, Tadeu Hübl, decidiram entrar numa comunidade religiosa. Os dois foram aceitos no noviciado redentorista de São Julião, em Roma. Na festa de São José, 19 de março de 1785, Clemente e Tadeu tornaram-se redentoristas, professando os votos de pobreza, castidade e obediência. Dez dias depois foram ordenados sacerdotes. Poucos meses após a ordenação, receberam a missão de voltar à Áustria e estabelecer a Congregação Redentorista.
            O imperador austríaco que tinha fechado mais de mil mosteiros e conventos, não permitiu uma nova ordem religiosa. os dois redentoristas foram para a Polônia.

A Polônia vivia uma grande turbulência política quando da chegada de Clemente em 1787. Durante os vinte anos que Clemente passou em Varsóvia quase não teve um momento de paz.

            Em Varsóvia, cidade de 124.000 habitantes, o Delegado Apostólico lhes confiou a Igreja de São Beno para o trabalho com os de língua alemã.
            No começo, havia pouca gente. O povo tinha muitas coisas que os afastavam de Deus, e achavam difícil confiar naqueles padres estrangeiros. Com o tempo, São Beno se tornou o centro florescente da Igreja em Varsóvia. Três irmãos redentoristas, começaram o que chamaram de missão perpétua. Quem fosse a São Beno em qualquer dia poderia ouvir sermões em alemão e em polonês. Os padres estavam disponíveis para atender confissões a qualquer hora do dia e da noite.   
         
            Em 1800 o crescimento era visível não só no trabalho na igreja, mas também na comunidade redentorista. Todo esse trabalho era feito em condições nada favoráveis. As batalhas chegaram a Varsóvia durante a Semana Santa de 1794. Clemente e seus companheiros pregavam a paz. Isto apenas serviu para aumentar os gritos de protesto contra os Redentoristas.

            Outro tipo de ataque era da parte de pessoas que deixaram a Igreja. Encontravam-se nos seus grupos secretos para tramar contra os católicos, prejudicar os sacerdotes, impedir o culto público e fechar as igrejas.
            Seus inimigos ficavam à espreita para atingi-los com pedras. Certa vez alguém deu um pernil envenenado aos padres. Quatro deles morreram intoxicados. Foi uma terrível tragédia para Clemente. Ainda mais doloroso para Clemente foi perder seu colega e grande amigo Pe. Tadeu. Foi torturado e alguns dias depois morreu em decorrência da agressão.

            Em 9 de junho de 1808. a igreja de São Beno era fechada e os quarenta Redentoristas lá residentes foram levados para a prisão e extraditados.
            Em setembro de 1808, depois de exilado da Polônia, Clemente chegou a Viena. Lá ficaria até a morte, quase treze anos depois. 
            Em 1809, quando as forças de Napoleão atacaram Viena, Clemente trabalhava como capelão de um hospital, cuidando dos muitos soldados feridos. O arcebispo, vendo o seu zelo, pediu-lhe que cuidasse de uma pequena igreja italiana na cidade de Viena. Aí permaneceu quatro anos, até ser nomeado capelão das irmãs ursulinas em julho de 1813.

            Cuidando do bem-estar espiritual das irmãs e dos leigos que frequentavam sua capela, a verdadeira santidade de Clemente manifestou-se ainda mais claramente. Naquele altar a sua devoção revelava-o como homem de fé. No púlpito falava as palavras que o povo precisava ouvir e viver suas vidas conforme a vontade divina.
            São Clemente tinha o costume de bater à porta do sacrário para conversar com Jesus.


            Naqueles primeiros anos do século XIX, Viena era um importante centro cultural europeu. Os estudantes e intelectuais costumavam procurar Clemente para conversar. Alguns tornaram -se redentoristas.
            O Imperador Francisco I da Austria, influenciado pelo Papa Pio VII, concedeu-lhe o direito de abrir uma fundação redentorista na Austria. Morreu no dia 15 de março de 1820 com a gratificante notícia de que o seu segundo sonho tinha sido realizado.

            Clemente Hofbauer foi canonizado no dia 20 de maio de 1909. Em 1914, o Papa Pio X concedeu-lhe o título de Apóstolo e Patrono de Viena.
            Sem milagres ou visões, A simplicidade foi a principal característica da sua santidade. Levou uma vida de inocência e de serviço, dedicando-se a louvar a Deus e a levar os outros a servi-lo.
            Pelo seu modo totalmente simples de se tornar santo, Clemente é um modelo para todos.

Provérbio:
Não amar, não crer, nada esperar...Existe pobreza maior? (Pe. Luiz Carlos Nascimento)